Teresa Lopes
 

História do meu peso:
Sempre tive tendência para ganhar peso com facilidade. Na adolescência considerava-me gorda, embora hoje saiba que não o era. Entre os 13 e os 18-19 anos, vivi obcecada com o peso e quase deixei de comer. As consequências surgiram inevitavelmente, nomeadamente o mau funcionamento intestinal, que perdura até hoje. Com a entrada na idade adulta passei a valorizar outros aspectos, passei a aceitar-me como sou e entendi finalmente o erro que vinha cometendo nos últimos anos. Gradualmente, passei a alimentar-me de forma “normal”, embora nunca tenha sido um bom garfo. Esta mudança nos hábitos alimentares fez-me sentir melhor a vários níveis e também em termos de saúde. Passei a ser mais determinada, mas também mais flexível. Acho que mais equilibrada. A auto-estima subiu... e manteve-se assim, daí em diante.
Mas quando terminei os estudos e comecei a trabalhar, tornei-me mais sedentária. Casei e aos 26 anos fui mãe. Repeti o feito aos 29. Em poucos anos, tinham já acontecido muitas alterações no meu estilo de vida e, com a chegada dos filhos, as minhas prioridades mudaram totalmente. 
Estava bem comigo, com a família, encantada com a chegada dos filhos, uma profissão que adoro... Uma vida feliz e preenchida, mas sem tempo para pensar em mim. Aos poucos, os quilos foram-se instalando, mas eu não dava conta. Em 12 anos, passei gradualmente dos 58kg aos 60, 65, 70, 75, 80... 
Um dia, as análises deram o alerta: colesterol elevado. E surgiu a hipertensão. Tive mesmo de olhar para dentro e percebi que me tinha deixado chegar a um ponto que eu não merecia.
Tomei uma decisão, por mim e pela minha família: PERDER PESO.


Como consegui perder peso:
Foi essencial alterar os meus hábitos a 2 níveis:
- alimentar
- actividade física.

Os hábitos alimentares foram, no meu caso, o mais fácil de mudar. 
Nos últimos anos, tinha uma alimentação completamente desregrada. Não tomava o pequeno almoço (não tinha fome), muitas vezes não almoçava ou ficava muitas horas sem comer (não tinha tempo!). Passei a ser muito disciplinada nesta matéria e consegui passar a ter prazer na alimentação e a apreciar uma refeição tranquila:
- tomo sempre um bom pequeno-almoço antes de saír de casa
- faço uma pequena refeição a meio da manhã (fruta, normalmente)
- ao almoço não dispenso a sopa e faço sempre refeições variadas (com muitos legumes)
- faço normalmente 2 lanches, porque costumo jantar tarde (fruta e iogurte ou pão)
- o jantar é a refeição mais ligeira (muitas vezes sopa, fruta, ou cereais com iogurte...)
- se me deito muito tarde, posso ainda beber um copo de leite ou um iogurte.
Bebo muita água ao longo do dia (2 litros no inverno, 3 no verão).

Quanto à actividade física, a mudança foi radical. 
Do sedentarismo absoluto, passei a:
- subir e descer escadas (no mínimo 8 pisos, 2 vezes por dia)
- caminhadas sempre que tenho oportunidade (30m a 1h, na hora do almoço; no mínimo 3h nos dias de fim-de-semana)
- aproveito todos os pretextos para andar. Instintivamente, hoje penso sempre se posso ir a pé antes de pegar no carro ou apanhar um táxi. 
Descobri o prazer da actividade física e, se estou cansada, é muitas vezes a caminhar que encontro a tranquilidade e consigo relaxar.

Com estas alterações no meu estilo de vida, consegui perder peso – 20 kg – e mantê-lo.
Hoje, quando olho para trás, mal me reconheço e sei que não serei capaz de voltar aos hábitos antigos. Porquê? Porque hoje tenho prazer na alimentação que faço e na vida activa que conquistei.

É fácil manter o peso?
Não posso dizer que seja fácil. Foi mais fácil perder peso do que mantê-lo. Mas hoje sei que o segredo... não tem segredo: se não gasto as calorias que ingiro, elas instalam-se sob a forma de gordura. Só tenho duas hipóteses:
- ingerir menos calorias
- queimar mais calorias
Cabe-me a mim fazer esta gestão diariamente. 

Na verdade, não consigo manter sempre o equilíbrio. Ora porque o trabalho aperta e não tenho tempo de fazer a minha caminhada diária... ora porque tenho uma festa e deixo-me ceder a uma tentação... Mas tenho sempre a consciência daquilo que faço (ou deixo de fazer) e sei exactamente como corrigir cada deslize consentido. Revejo-me hoje, e cada vez mais, nas palavras que escrevi há 2 anos atrás, quando atingi o peso que nunca pensei voltar a ter:
E se um dia olhar ao espelho e encontrar
Um pouco mais de mim do que queria
Sei que não vou desanimar
Porque hoje tenho mais sabedoria.